sexta-feira, 11 de abril de 2008

Não tenham medo do escuro
o rei dom Sebastião suspeita o real sentido da nossa existência. [1]

Os cirios iluminam a leitura
eu creio que, ascendendo no tempo, Ana de Peñalosa é a fonte de Margarida e de Eleanora; que Margarida não é só a mãe natural de Luís M., , mas o sonhou à distancia; e que eu, desejando elevar-me à escala dos seres, cheguei a tornar-me mãe de animais e plantas entrelaçados.” [2]

Ao entrarmos na obra estamos a dar um passo em direcção a um quarto escuro, sem janelas. Sentimos a desorientação de quem está na penumbra, e procuramos encontrar nas paredes uma abertura que ilumine a nossa leitura. As beguinas surgem nesta minha interpretação através da metáfora dos círios, grandes velas utilizadas em eucaristias religiosas, que iluminam aos poucos o percurso a seguir dentro desse quarto escuro que é a obra de Llansol. São elas as guias desse vasto “labirinto rizomático”, interpenetrando-se em diferentes vozes enunciativas. Adoptando a teoria “bakhtiniana”, os vários discursos das beguinas surgem sobrepostos e como uma só voz indeterminada, confundindo muitas vezes o leitor. Esta sobreposição é importante pois conduz ao mesmo fim, a transmutação de Dº Sebastião em dom arbusto pelas beguinas.


[1]LLansol, Maria Gabriela, Causa Amante, p. 41

[2]Llansol, Maria Gabriela, Causa Amante, p. 161

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