Não tenham medo do escuroOs cirios iluminam a leitura
Ao entrarmos na obra estamos a dar um passo em direcção a um quarto escuro, sem janelas. Sentimos a desorientação de quem está na penumbra, e procuramos encontrar nas paredes uma abertura que ilumine a nossa leitura. As beguinas surgem nesta minha interpretação através da metáfora dos círios, grandes velas utilizadas em eucaristias religiosas, que iluminam aos poucos o percurso a seguir dentro desse quarto escuro que é a obra de Llansol. São elas as guias desse vasto “labirinto rizomático”, interpenetrando-se em diferentes vozes enunciativas. Adoptando a teoria “bakhtiniana”, os vários discursos das beguinas surgem sobrepostos e como uma só voz indeterminada, confundindo muitas vezes o leitor. Esta sobreposição é importante pois conduz ao mesmo fim, a transmutação de Dº Sebastião em dom arbusto pelas beguinas.
[1]LLansol, Maria Gabriela, Causa Amante, p. 41
[2]Llansol, Maria Gabriela, Causa Amante, p. 161

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